Entenda o que são pacientes “supercontagiantes” de Covid-19
Fenômeno genético já foi demonstrado em outras epidemias, como a de tifo


Até o momento, a maior parte da comunidade científica acredita que todos os seres humanos estão suscetíveis ao contágio pelo novo coronavírus, isto é, todos podemos ser contaminados pelo vírus e transmiti-lo para outras pessoas. No entanto, há uma questão importante sendo analisada por cientistas: a capacidade de transmissão pode não acontecer na mesma medida em todos os infectados.
Segundo uma matéria divulgada no noticioso espanhol El País, é possível que existam pacientes “supercontagiantes” de coronavírus, ou seja, pacientes que conseguem transmitir a Covid-19 para mais pessoas do que o considerado normal.
Desse modo, é possível que a contaminação de centenas de pessoas esteja ligada a poucos indíviduos – e, por isso, é urgente descobrir mais sobre quem – e por que – possui maior capacidade de transmissão do vírus.
A primeira paciente “supercontagiante” foi descoberta durante a epidemia de tifo, no início do século XX, quando um engenheiro sanitário percebeu que a a irlandesa Mary Mallon poderia ter sido o vetor da doença para dezenas de pessoas que moravam nas proximidades.
A partir dessa situação, foi descoberto que há pessoas que transmitem doenças com menos ou mais facilidade a outras pessoas – fenômeno que se repetiu em outras epidemias, como as do Ebola e do SARS.
Supercontagiantes na pandemia de Covid-19
Atualmente, é considerado que uma pessoa contaminada pelo novo coronavírus possa transmitir a doença, em média, a três outras pessoas. Porém, como o SARS-CoV-2 tem alta transmissibilidade, orienta-se que as medidas de higiene sejam rigidamente seguidas, pois o número – já relevante – pode ser muito maior, chegando até 20 ou 30 pessoas.
No momento, pesquisadores trabalham para entender as evidências epidemiológicas que diferem pessoas que conseguem transmitir mais ou menos um vírus para outros seres humanos. Entre outros fatores, pode haver influência do comportamento social e da imunidade do contaminado. Por enquanto, porém, não há confirmação sobre o que causa esse fenômeno.